Pro dia nascer feliz
MINHAS REFLEXÕES SOBRE O FILME
Pro
dia nascer feliz é um filme-documentário dirigido por João Jardim, coproduzido
por Globo Filmes, Tamberlini Filmes e Fogo Azul Filmes. Seu lançamento foi em fevereiro
de 2007. O Filme recebeu o prêmio especial do júri no Festival de Gramado 2006
e mais 10 prêmios entre nacionais e internacionais. De forma dinâmica, com entrevistas
e apresentando a realidade física e pedagógica de algumas escolas brasileiras,
a ideia principal do filme é mostrar ao expectador, como alunos e professores veem
a realidade educacional na qual estão inseridos.
É
impossível ficar indiferente ao que nos foi apresentado. Valéria e Clécia
estudam em Manari, cidade Pernambucana que foi considerada pela ONU uma das
mais pobres do Brasil, estudam em
condições tão precárias que surpreende e emociona ver seus olhos brilharem pelo
aprender. Deduzimos que a escola ainda é um lugar de esperança. A última instituição abordada, não foi
identificada, mas subentende-se que trata-se de um local para adolescentes com
problemas com a lei. Uma estudante entrevistada responde com satisfação a
agressão que resultou na morte de uma colega. Em suas próprias palavras “não dá nada matar sendo de menor”. É desolador a falta de perspectiva que gera
esse “nada a perder”. Para esses, ainda mais, a escola precisa ser um lugar de
esperança.
Na
Escola Estadual
Parque Piratininga II em Itaquaquecetuba, periferia de São Paulo, o aluno
Ronaldo de 16 anos, foi categórico ao afirmar que a educação no Brasil não está
melhorando, e aponta como causa de sua observação as cotas e
incentivos governamentais como o pró universitário. Que as diferenças sociais
existem e precisam ser sanadas, é fato, porém esses tipos de incentivos além de
ignorar o problema na sua raiz, no caso a condição social do sujeito, incentiva
o descaso com os ensinos fundamental e médio. Foi gratificante achar o Padre
Ronaldo no facebook, e saber que ele tem seguido seus planos de ajudar o
próximo através da educação e do amor a Deus.
Já
em Alto de Pinheiro, bairro nobre de São Paulo, conhecemos alunos que passam
por problemas diferentes. Não falta escola de qualidade, não falta apoio
familiar, não faltam recursos, ainda assim, vivem seus conflitos pessoais
questionando o propósito da vida e o fato de serem pressionados a decidirem o
que farão profissionalmente. A Princípio senti vergonha alheia de Ciça
“emocionada” ao falar de como os estudos afetaram sua vida social, ou
sentimental. Mas numa segunda análise, entendo que como seres humanos, somos
frágeis, e não fiquei confortável na posição de diminuir o sofrimento dela por
que fui apresentada a outros que, no meu ponto de vista, sofrem mais.
Por
fim, descrevo o caso que me motivou a escrever essa reflexão (além da nota que
preciso no bimestre, é claro). Trata-se das falas da diretora e de uma
professora respondendo sobre a frequente falta de professores na escola de
Ronaldo, em Itaquaquecetuba. Para a diretora, senhora Fátima, os professores
faltam porque a legislação é permissiva quanto a isso, não há uma consequência,
ou seja, as faltas não afetam sua carreira. Já para a professora Celsa, o
professor falta por que está cansado, porque essa é uma profissão que causa um
desgaste físico e principalmente mental. Ela continua seu desabafo dizendo que na
teoria, nos discursos, a sociedade considera importante o papel do professor,
mas na prática é o descaso que predomina e consequentemente o professor perde a
dignidade.
O
que observo da fala dessas educadoras, da convivência com colegas do curso de
Pedagogia e dos diálogos com os professores dos cursos de formação, é que o
descaso com a educação vem de todos os lados. Educadores, governantes e
sociedade. O próprio educador age com
descaso desde a sua formação, quando escolhe o curso por considera-lo mais
fácil, quando fica feliz por não ter aula no magistério ou na licenciatura,
quando faz plágio de trabalhos, quando escolhe a profissão pensando unicamente
na questão financeira ou na propagação de sua ideologia. Já que todos tem sua
parcela de culpa, o que resta é olhar para si mesmo e refletir sobre o que pode
ser feito para mudar.
Para assistir ao documentário no you tube acesse https://www.youtube.com/watch?v=nvsbb6XHu_I&t=2263s .
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